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AS CHAVES DO VASCO DE RAMON MENEZES

A organização coletiva e as intenções táticas evidentes são os princípios fundamentais para o bom início de temporada no Campeonato Brasileiro 2020-21 por parte do conjunto cruzmaltino dirigido por Ramon Menezes.

Com 14 pontos somados em oito jogos disputados, o clube carioca ocupa a sexta posição da liga agora mesmo, um posto que está claramente acima das expectativas geradas por seu elenco e ambições na temporada.

Em geral, o Vasco caracteriza-se por sua solidez defensiva liderada pela dupla de zagueiros canhotos formada por Ricardo Graça e Leandro Castán, que garantem vantagens defendendo em área própria em cenários de inferioridade na posse de bola em bloco médio-baixo, ao mesmo tempo que conta com recursos diferenciais no ataque e estrutura ofensiva a partir de uma boa ocupação dos espaços por intermédio dos argentinos Martín Benítez e Germán Cano dentro das ideias de seu treinador. A contundência nas duas áreas define com perfeição o começo de campanha da equipe na temporada.

O jovem de 18 anos Talles Magno ainda não terminou de assumir o protagonismo que se espera, mas segue deixando detalhes de qualidade rodada a rodada que demonstram os motivos de ser um dos atacantes mais promissores do futebol brasileiro atualmente

SUMÁRIO

Posse de bola (%)49.71%
Passes completados (média por jogo)396.88
Passes para o último terço51.59
Finalizações 12.68
Finalizações permitidas12.05
Duelos defensivos69.2
Interceptações40.09
PPDA (passes permitidos por ação defensiva)10.44
Rebatidas16.59
Média de passes por posse de bola3.73
Fonte: WyScout

ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

No que permite análise, o Vasco dirigido por Ramon Menezes alterna saídas curtas e elaboradas em fases de iniciação com tentativas de jogo direto quando é pressionado com maior agressividade e seu goleiro acaba sem linhas de passe para avançar. Neste sentido, o conceito tático que caracteriza as fases de primeira construção do conjunto carioca é a ocupação racional dos espaços em organização ofensiva, com ideias relacionadas ao jogo de posição.

Com três canhotos na sua linha defensiva (uma particularidade que necessita ajustes na estrutura em que a intervenção de Ramon está sendo francamente positiva), o Gigante da Colina inicia seus ataques posicionais com a saída de bola formada por três peças com a posição do lateral-esquerdo Henrique tratando-se de um ponto fundamental: fechando como terceiro zagueiro, garante superioridades numéricas em um campeonato em que a maioria dos adversários pressionam na primeira linha de marcação com dois homens e possibilita melhor distribuição dos jogadores sobre o terreno de jogo.

Na setor canhoto, o jovem extremo Talles Magno gera amplitude constante apesar de sua tendência interna nas conduções, enquanto o interior argentino Martín Benítez ocupa zonas intermédias completando a triangulação. No lado direito, nesta estrutura de 3-2-5 do Vasco em fase ofensiva, há uma situação muito específica no posicionamento do interessante lateral-direito Yago Pikachu, que busca intervalos entre zagueiro e lateral do adversário com o extremo (Ygor Catatau, Cayo Tenório, Vinicius e Gabriel Pec foram utilizados nesta função ao longo das primeiras rodadas da liga) mantendo posição aberta para garantir largura por fora. Com a dupla de volantes formada por Andrey e Fellipe Bastos como opção de passe aos zagueiros na base da jogada, especialmente através do primeiro mencionado, o cruzmaltino é capaz de avançar com a bola montando sua estrutura e variando o corredor das jogadas em contextos em que normalmente divide a posse de bola com o rival, como indicado anteriormente nas estatísticas acima.

Por outro lado, o Vasco encontra maiores dificuldades para encontrar situações de finalização no último terço do campo apesar de sua boa compactação ofensiva garantir superioridades para progredir em bloco no terreno de ataque. Dito isto, o movimento que está produzindo vantagens ao time dirigido por Ramon é justamente a agressividade de Yago Pikachu atacando espaços vazios aproveitando a atração que amplitude do extremo gera no lateral adversário. Entre suas individualidades, a estrutura em saída de bola e ataque posicional e a capacidade de adaptação de seu treinador, estão conseguindo competir francamente bem nas últimas semanas desde que o ex-jogador assumiu o banco de reservas do clube.

Como mostrado abaixo, uma das variações utilizadas por Ramon Menezes, no segundo tempo contra o São Paulo e na visita ao Ceará no nordeste do país, é a presença em zonas intermédias partindo do extremo direito por parte do meia argentino Martín Benítez

VÍDEO-ANÁLISE: ORGANIZAÇÃO OFENSIVA E ATAQUE POSICIONAL

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

Em geral, o Vasco varia fases de bloco médio-baixo com situações de maior agressividade ao portador da bola com cenários de pressão alta, com mudanças do 4-1-4-1 em fase defensiva ao 4-4-2 dependendo da postura sobre os primeiros passes do adversário por parte do meia argentino Martín Benítez. Neste sentido, o conjunto cruzmaltino encontra maiores dificuldades para defender a zona entre linhas considerando que ambos interiores saltam em pressão sem fechar linhas de passe e expõem as costas do volante Andrey, algo que ficou evidente nos duelos contra Grêmio e São Paulo em jogos disputados no Rio de Janeiro.

O caso é que a intenção coletiva da primeira linha de marcação do time vascaíno consiste em orientar a primeira fase de construção do adversário para os costados, com um dos homens mais adiantados saltando para pressionar o zagueiro do setor com o outro fechando a possível recepção do volante. Os laterais e extremos trocam frequentemente a abordagem na marcação, com perseguições por fora de acordo com a referência no adversário mesmo partindo de uma defesa em zona maioritariamente.

Neste contexto, a chave para o funcionamento coletivo do time dirigido por Ramon Menezes sem a bola é a resistência em área própria representada pelos zagueiros Leandro Castán e Ricardo Graça, que completaram atuações realmente sólidas em todos os sentidos nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, resultando na estatística de melhor defesa da liga no período para a equipe graças a boa organização liderada por seu jovem treinador.

Quiçá ao Vasco falte qualidade individual e peças de reposição no elenco para manter a mesma regularidade e nível de protagonistas do time titular (o albiceleste Benítez é uma peça insubstituível em termos táticos pela função que exerce, como uma referência entre linhas e nas transições ofensivas da equipe), o que certamente dificultará o decorrer da temporada em um mês de setembro marcado por uma maratona de jogos no Brasil. Ao final, o objetivo do gigante carioca deve ser alcançar a permanência sem maiores problemas mantendo-se no meio de tabela para garantir uma vaga em competições continentais para o ano de 2021, o que já seria um feito notável por parte de Ramon Menezes que assumiu uma situação conturbada após a saída do experiente Abel Braga.

Higor Santos Ver todo

Higor Santos es un joven brasileño analista y scout de fútbol internacional que trabaja como freelancer. Apasionado por fútbol francés y belga, sigue semanalmente diferentes ligas por el mundo con enfoque especial para Sudámerica.

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