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REFLEXÃO: ATLÉTICO MINEIRO 0-0 SPORT

No último sábado (24), Atlético Mineiro e Sport terminaram o duelo protagonizado em Belo Horizonte com empate por 0-0 em um jogo caracterizado por grande domínio e superioridade em termos gerais por parte do time dirigido por Jorge Sampaoli ao longo dos 90 minutos. A intenção deste artigo é mostrar, com vídeos e descrições, como os mineiros superaram claramente o seu adversário a nível de execução da estratégia, situação evidenciada pelas 26 tentativas de finalização dos locais durante a partida. A minha reflexão está ligada não só a diversidade de estilos que o futebol possibilita e as nuances que cada estratégia pressupõe para condicionar a abordagem do adversário, mas também na relação entre intenção e prática destas propostas. Planejamentos como o do Sport são válidos? O conjunto dirigido por Jair Ventura jogou realmente bem na visita ao Mineirão? São perguntas que procuro responder na explicação e aprofundamento a seguir.

Em geral, a discussão deve ser sintetizada na execução de cada estratégia em função do que cada treinador buscou, ao final, não há forma certa de praticar o esporte e cada planejamento, desde que estabeleça vantagens táticas em relação ao adversário e neutralize seus pontos fortes para utilizar as próprias debilidades estruturais contra o mesmo, é extremamente válido e coerente independentemente da maneira que se alcance o objetivo final tendo em conta que a questão preponderante neste debate é o desempenho. Não quero fomentar oposições de ideologias. Todo estilo tem suas particularidades e as metodologias de cada treinador são diferentes umas das outras. Meu ponto que causou esta reflexão que os apresento é mostrar que, apesar de partir de um pressuposto condizente com o contexto que enfrentaria, o Sport não foi capaz de executar seu plano de jogo inicial com efetividade.

Consciente que o Atlético Mineiro pratica o jogo de posição e ocupa racionalmente os espaços em organização ofensiva com cinco jogadores na última linha ofensiva, o jovem diretor técnico Jair Ventura adaptou-se com a utilização da defesa com cinco jogadores (5-4-1), com intenções de evitar a superioridade numérica e posicional dos locais no último terço do terreno de jogo. Em geral, com apenas o experiente Thiago Neves na primeira linha de marcação, o time nordestino não buscou pressionar os primeiros passes do Galo e frequentemente esteve em desvantagem, permitindo progressões em construção ofensiva ao adversário e defendendo em bloco baixo em sua própria área durante longos períodos.

Ao mesmo tempo que priorizou conservar o espaço em detrimento de saltar pressões na abordagem ao portador da bola, o Sport também teve dificuldades para defender as costas de seus volantes, com ambos (Ricardinho e Márcio Araújo) encontrando situações de inferioridade em 3vs2 devido a forma como o Atlético ocupava os espaços a nível de estrutura. Em termos ofensivos, o plano do Sport não terminou de alcançar bom funcionamento, já que o time pernambucano alternava saídas curtas em tiros de meta com jogo direto, tendo inúmeras dificuldades para sair jogando contra a pressão alta do Atlético-MG, que saltava os extremos Jefferson Savarino e Keno sobre os zagueiros externos do adversário, como pode-se visualizar no vídeo abaixo disponibilizado:

Ao final, o Atlético Mineiro gerou 26 finalizações e exatas 12 ocasiões de gol ao longo dos 90 minutos, aproveitando a passividade defensiva do adversário e produzindo situações de diferentes maneiras, já seja através de sua pressão alta e pós-perda ou por intermédio de ataques organizados de forma elaborada a partir de sua ocupação racional dos espaços. A seguir, vídeo com cada uma das oportunidades de marcar do time do treinador argentino durante a partida realizada no Mineirão:

Agora falando sobre o Atlético, Sampaoli voltou a utilizar a estrutura ofensiva em 3-1-5-1 partindo do 4-3-3 de início. Com o lateral-direito Guga fechando como terceiro zagueiro enquanto Guilherme Arana ganhava altura pela esquerda em amplitude, mantinha Jair nas costas da primeira linha de marcação fixando a atenção de Thiago Neves, o que liberava frequentemente o homem livre a sair e ganhar metros em condução, ao mesmo tempo que Keno esperava em posição aberta no setor destro com Alan Franco (interior) e Jefferson Savarino (extremo) ocupando zonas intermédias, com Nathan no corredor central, garantindo a superioridade posicional e qualitativa mencionada anteriormente de 3vs2 nas costas dos volantes do adversário. Através de fixações e boa ocupação dos espaços, o Atlético sempre conseguiu chegar até os metros finais do campo e levar a bola ao último terço em superioridade. O que faltou ao time mandante, definitivamente, foi acerto e precisão no último gesto, com inúmeras chances de gol desperdiçadas em outra grande noite do goleiro adversário.

Abaixo, mais um vídeo explicativo com análise de cada mecanismo descrito no parágrafo anterior:

Higor Santos Ver todo

Higor Santos es un joven brasileño analista y scout de fútbol internacional que trabaja como freelancer. Apasionado por fútbol francés y belga, sigue semanalmente diferentes ligas por el mundo con enfoque especial para Sudámerica.

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