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REFLEXÃO: JEAN PYERRE, UM JOGADOR ESCASSO NO FUTEBOL ATUAL

Nos últimos anos, o futebol mundial está novamente demonstrando que o jogo é cíclico e transforma-se através de tendências táticas que condicionam completamente os aspectos comportamentais em termos coletivos e individuais dos intérpretes do esporte. Ao final, o futebol é dos jogadores; em uma relação recíproca com o lado estrutural e estratégico, o que intermedia a individualidade da complexidade e o caos de 90 minutos de uma partida de futebol é justamente a figura do treinador.

Neste sentido, podemos classificar o jogo atualmente como um constante exercício de enfrentamento de saídas de bola curtas contra pressões altas: em diferentes lugares do mundo, inclusive no Brasil, cada vez mais se pressiona melhor e com nuances específicas em função do adversário. É especialmente por um futebolista tão especial como Jean Pyerre que proponho a reflexão de hoje: com o pressuposto que as mudanças na preparação física provocaram consequências na velocidade do jogo, como explicar que um meia-atacante como o camisa 21 do Grêmio seja um jogador capaz de marcar diferenças no que chamam de futebol atual? Encontro a resposta em um conceito popularizado na atualidade que de fato está mal interpretado pela maioria: a dita “intensidade”.

A intensidade não se trata apenas de um aspecto físico e, sim de uma questão de velocidade de raciocínio e inteligência para interpretar a relação fundamental que fomenta o instrumento do jogo (a bola, evidentemente): o passe. Neste sentido, Jean Pyerre é um jogador muito intenso indiscutivelmente. Comunicativo. Diferente. Ao final, a qualidade técnica, capacidade cognitiva para envolver companheiros no jogo através do passe como uma maneira de COMUNICAR-SE e sua pausa em cada gesto técnico tornam o jovem de 22 anos um futebolista de condições raríssimas em um futebol marcado pelo ritmo alto e por transições desde que a resposta que sucedeu a tendência de ocupação racional dos espaços com e sem bola foi a intenção de pressionar no campo de ataque.

Contra o Cuiabá, o meia gremista foi o principal destaque no jogo de posse e mobilidade do time de Renato Portaluppi, participando diretamente da origem do 1-2 anotado pelo próprio em cobrança de pênalti

O que muitos interpretam como um aspecto relacionado a condições atléticas como é o caso da intensidade, jogadores como Jean Pyerre comprovam que o conceito não se trata de algo absoluto e, tendo sua origem na física clássica, também possui seu teor relativístico quando o aplicamos no futebol. Como um jogador que junta o time com a bola e progride por intermédio do passe envolvendo os companheiros na construção auxiliando a saída de bola na base da jogada não é um atleta de alta intensidade? Estaríamos nós equivocados na concepção do termo? É a reflexão que faço após a vitória do Grêmio na visita a Arena Pantanal na última quarta-feira (11) no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil.

O que diferencia Jean Pyerre no futebol atual?

Como dito em parágrafos anteriores, a forma de comunicar-se no futebol, entre outros fatores preponderantes, é o passe. E neste sentido, a qualidade de Jean Pyerre é acima da média dentro do futebol mundial na atualidade. Um jogador escasso: toda ação sua com a bola possui um sentido, um propósito. Cada movimento para auxiliar a primeira fase de construção com descensos na base da jogada no setor esquerdo para utilizar seu pé direito.

Parafraseando Johan Cruyff: “Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há”. A complexidade do jogo nos leva a entender que cada decisão está condicionada por múltiplas consequências que nem sempre estão ao controle de quem as toma. No entanto, um jogador como Jean Pyerre demonstra que a figura do camisa 10 clássico segue viva no futebol atual. Aquele jogador de visão diferenciada. Que facilita o jogo dos demais por sua interpretação dos espaços, pausa e que encontra passes que ninguém vê. Juan Román Riquelme agradece que seu legado não tenha sido esquecido e nós, evidentemente, deveríamos apreciar um jogador como o meia do Grêmio dado todo o contexto.

Abaixo, vídeo com as ações do jogador de 22 anos contra o Cuiabá no triunfo por 1-2 do tricolor gaúcho:

Higor Santos Ver todo

Higor Santos es un joven brasileño analista y scout de fútbol internacional que trabaja como freelancer. Apasionado por fútbol francés y belga, sigue semanalmente diferentes ligas por el mundo con enfoque especial para Sudámerica.

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