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ANÁLISE COLETIVA – FORTALEZA DE ROGÉRIO CENI

Considerado um dos trabalhos mais notáveis dos últimos anos no futebol brasileiro, o Fortaleza de Rogério Ceni amadureceu temporada após temporada até ganhar forma em 2020 em um time competitivo a nível nacional, ainda que com elenco e poder de investimento muito abaixo dos grandes clubes do futebol brasileiro. Rogério construiu um projeto de longo prazo que em 3 anos (com um período curto fora do clube enquanto se aventurava no Cruzeiro) o levou ao Flamengo.

Sobre uma ótica geral, destaca-se o Fortaleza no Campeonato Brasileiro de 2020 como um dos principais sistemas defensivos do campeonato, somando somente 14 gols sofridos em 18 jogos no período comandado por Ceni. Contudo, ofensivamente figurou entre os piores ataques do campeonato com apenas 17 gols. Aprofundando percebe-se que o time ainda converte razoavelmente suas oportunidades, tendo aproveitamento de 85% em relação aos gols esperados (xG de 19.93 gols). Defensivamente, também pode-se aprofundar e a partir do índice PPDA em que permite 15.56 passes do adversário por ações defensivas realizado, o pior do campeonato, o que revela comportamento defensivo em bloco baixo do utilizado por Ceni.

Estruturado inicialmente em 4-4-2, pode-se considerar como time base para destrinchar o Fortaleza de 2020 como sendo: Felipe Alves; Tinga, Paulão, Roger Carvalho, Bruno Melo; Romarinho, Felipe, Juninho, Osvaldo; David e Yuri César; ainda destacando a frequente presença de Ronald, Marlon, Carlinhos, Gabriel Dias, Wellington Paulista e Juan Quintero (que muito sofreu com lesões).

Iniciação

O Leão do Pici se notabilizou pela capacidade de utilizar o goleiro constante na saída de bola, podendo ver a participação de Felipe Alves inclusive em zonas mais adiantadas. Costumando sair em 3+1, em que esse “1” é necessariamente um dos volantes (que se alternam entre a base da jogada e zonas mais avançadas) e junto aos zagueiros no “3” pode tanto estar o goleiro quanto um dos laterais. Habitualmente, contudo, pode-se considerar uma saída que opta por avançar o time, com laterais oferecendo amplitude e goleiro participando entre os zagueiros.

As principais ações se dão por meio de passes de ruptura a partir dos zagueiros, buscando jogadores mais avançados ou, quando sobre pressão, o camisa 1 busca lançamentos mais longos, geralmente para os laterais que pisam a linha lateral na altura do meio de campo.

Construção + Finalização

Considerando um time que ocupa por pouco tempo o campo adversário, o Fortaleza é mais um exemplo de equipe que não se notabiliza pela construção de jogadas, mas busca trabalhar a velocidade em suas transições ofensivas (fonte principal de seus gols). Em etapa de construção é possível ver o que muitos falavam em um 4-2-4 como um 4+4, em que os laterais ofertam amplitude, Felipe e Juninho fazem a bola da jogada e os 4 jogadores mais a frente se alternam entre referência, amplitude e base buscando infiltrações e conclusões rápidas.

O principal mecanismo de rompimento da pressão adversária, neste contexto, se dá pela inversão de corredores, proporcionada graças a amplitude e verticalidade entregada pelos laterais. Aqui se destaca principalmente o trabalho de Tinga, que em dados momentos da temporada chegou a atuar como um meia-direita.

Organização Defensiva

Opto aqui por dividir a fase defensiva em 2 partes que se relacionamento durante a partida: a pressão sobre a saída adversária e a organização propriamente dita, quando o adversário ocupa o campo defensivo do Fortaleza.

Neste primeiro momento constata-se essencialmente uma equipe que defende em bloco baixo em 4-4-2, com os dois homens mais a frente exercendo pouca pressão aos zagueiros, mas trabalhando principalmente para fechar as linhas de passe por dentro e evitar a progressão adversária. Os meias mais abertos na segunda linha são responsáveis por saltar em pressão nos laterais e evitar que o adversário se projete para o campo de ataque. Sendo assim, vemos uma equipe que não se preocupa em não ter a posse, mas prioriza a montagem de um sistema defensivo que não permita ao adversário criar em seu campo de ataque.

Em organização defensiva o modelo se repete, uma equipe em bloco baixo, que compacta suas linhas, mas foca em não entregar profundidade ao adversário. Paulão e Roger Carvalho até aqui fazem um bom trabalho de coordenação defensiva e principalmente evitam finalizações de dentro da área.

Transição Ofensiva

Como já apontado, se mostrou como sendo a principal arma do Fortaleza na temporada, principalmente em um ataque bastante móvel, vertical e veloz, com Osvaldo, Yuri César, David e Romarinho.

Transição Defensiva

A equipe de Ceni demonstrou oscilação ao longo da temporada em relação a transição defensiva, uma vez que se expunha a partir de uma iniciação de jogadas mais avançada com a participação de Felipe Alves. Boa parte dos gols sofridos surgiram nesse cenário, a partir da exploração adversária das costas dos laterais, que buscavam um jogo mais profundo.

Destaque Individuais

Felipe Alves (1998) – O goleiro tricolor se destaca essencialmente pelo jogo com os pés, em que participa ativamente da etapa de iniciação ofensiva do Fortaleza, sendo por muitos considerado o melhor nessa função no futebol brasileiro. Com as mãos não se destaca notavelmente.

Paulão (1986) – A partir do retorno de Rogério Ceni, Paulão se destacou pela capacidade de liderança defensiva, coordenando movimentos de pressão e retirada de profundidade do adversário, além de se notabilizar pela capacidade em romper linhas adversárias, seja por progressão com a bola, seja por passes de ruptura.

Felipe (1994) – Volante que faz dupla geralmente com Juninho, possui boa capacidade de destruir jogadas e fechar linha de passe para progressão adversária. Com a bola, se destacou por baixar a linha de defesa para facilitar uma saída em losango desde o goleiro, além de facilitar movimentos de transição.

Osvaldo (1987) – Extremo importante nos movimentos de transicão ofensiva, tanto por progressão em velocidade quanto por capacidade de drible em campo aberto.

David (1995) – Ainda que questionado pelo número de chances perdidas ao longo da temporada, David é importante ao time do Fortaleza pela movimentação de atração do adversário, além do poder de explosão em contra-ataques.

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